A instalação de parques de recolha de biomassa é urgente para compensar os pequenos produtores pelas despesas de limpeza da floresta, uma atividade essencial à prevenção de incêndios. Para Clemente Pedro Nunes, estas infraestruturas poderão promover a valorização da biomassa residual e apoiar uma maior autonomia energética nacional.
Portugal não dispõe de uma rede de parques de recolha de biomassa. Em 2026, a sua criação tornou-se ainda mais urgente devido às tempestades que atingiram o país no início do ano, deixando pelo território milhões de toneladas de madeira derrubada, que se somam à biomassa resultante de incêndios de anos anteriores.
Sem parques de recolha de biomassa, os resíduos e troncos cortados que ficam pelo território representam um risco acrescido de propagação de incêndio e um desperdício significativo de recursos, alimentando um problema estrutural com dimensão nacional, mas que penaliza especialmente as zonas de minifúndio do Norte e Centro, que têm muita área florestal de pequena dimensão, com gestão desafiante e difícil valorização.
Mais de 65% do território português é ocupado por florestas, matos e incultos, e Portugal é o país europeu com maior número de incêndios desde o início do século, com anos particularmente críticos como 2003, 2005 e 2017. A acumulação de biomassa não recolhida nos terrenos contribui diretamente para este risco.