A minha ligação aos habitats do sudoeste português, onde o carvalho-de-monchique (Quercus canariensis Willd.) encontrou refúgio, começou muito antes do projeto “Melhoramento genético, produção e conservação de materiais florestais de reprodução” e da sua actual componente genómica.
Enquanto jovem botânico e geobotânico, sempre fui fascinado pela extraordinária diversidade biológica da Serra de Monchique e das montanhas húmidas do sudoeste português. Ali sobrevivem comunidades vegetais relictas (agora isoladas, mas outrora amplamente distribuídas), associadas a nevoeiros, linhas de água e encostas sombrias, onde coexistem espécies protegidas pela Rede Natura 2000, habitats prioritários europeus e numerosas plantas consideradas ameaçadas pela Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal.
Foi precisamente nesse território que começou também uma colaboração particularmente virtuosa entre academia, empresas e entidades locais. Uma colaboração demonstrativa de que a conservação da biodiversidade não pode continuar isolada dentro da universidade ou exclusivamente dependente do Estado. Pelo contrário: os grandes desafios ecológicos exigem modelos cooperativos, tecnicamente robustos e territorialmente integrados.





