Quando a sala de estudo se instala lá fora, tudo serve de inspiração. Os alunos apressam-se nas tarefas agendadas, emendam o que precisa de correção enquanto suspiram por uma volta no baloiço. Chega, por fim, o tão desejado momento: saltam dos lugares e correm para ver quem é o primeiro a ocupar o balancé, preso a um ramo que mais se assemelha a um tronco horizontal.
Os que esperam a vez colecionam bolotas e bugalhos, erguem o olhar tentador para avistar a coruja que habita o tronco da árvore, seguem os carreiros de formigas admirando a sua capacidade de transporte e correm ao redor do tronco que é, muito provavelmente, mais que tricentenário. Trocam-se os lugares e o entusiasmo cresce: há corridas, agora pelo pequeno bosque, em busca de árvores semelhantes. Apreciam-se aromas, observam-se os recortes e as cores das folhas, conferem-se nomes: científicos e populares. Uma vez descoberta, a amoreira cativa todos os interesses pelo seu saboroso fruto.
Já cansadas, as crianças sentam-se no chão, rindo e sonhando. Regressam, depois, para junto do seu gigante verde preferido e reproduzem, em desenho, os pequenos tesouros que recolheram, tanto folhas como frutos. E, quando os pais as vêm buscar, há uma ladainha interminável que entrelaça histórias com as pequenas aventuras vividas.




