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17.03.2026

Exposição José Neiva Vieira, um colecionador de florestas

Exposição José Neiva Vieira, um colecionador de florestas

No âmbito das celebrações do 50.º aniversário do Centro de Estudos Florestais (CEF), Instituto Superior de Agronomia (ISA), está patente, de 19 de março a 2 de abril, a exposição “José Neiva Vieira – Um colecionador de florestas”. A mostra dá a conhecer as muitas facetas da floresta através de alguns registos e objetos do vasto acervo que José Neiva Vieira, também formado no ISA, tem vindo a reunir ao longo de mais de 50 anos.

José Neiva Vieira formou-se no ISA e foi ali que deu aulas como monitor no início da sua carreira. Dedicou depois a sua vida profissional aos Serviços Florestais e, além das funções e responsabilidades que assumiu em diversos departamentos técnicos, a sua paixão pela floresta, pela sua história e pela sua divulgação levaram-no a recolher e adquirir peças e registos que transformaram o engenheiro silvicultor num “colecionador de florestas” – de objetos, conhecimentos e memórias.

Há mais de cinco décadas que José Neiva Vieira junta documentos, livros, gravuras, fotografias, peças artesanais, selos, madeiras, cortiças, ferramentas e muitos outros objetos relacionados com as várias temáticas que cruzam o sector florestal. É com este acervo único que, já aposentado, passa grande parte dos seus dias no seu “espaço memória”, um género de casa-museu, em Lisboa.

É desta coleção que vêm as peças selecionadas para a exposição com que o CEF, nos seus 50 anos de ensino e investigação, homenageia José Neiva Vieira, dando a conhecer registos que retratam a pluralidade das florestas, as suas múltiplas funções e a sua relação com as pessoas ao longo dos tempos.

A mostra é inaugurada no dia 19 de março, às 17h00, e pode ser vista até 2 de abril na Sala Terra do ISA (Tapada da Ajuda, em Lisboa). Ali estarão dezenas de peças com história, organizadas em seis expositores:

1- Medalhística e condecorações florestais;

2- Postais florestais antigos que ilustram atividades florestais, árvores monumentais e representações artísticas das árvores;

3- Filatelia florestal, pins e crachás, com selos e peças de variados países e significados;

4- Madeiras e objetos de madeira diversos, como caixas, esculturas, placas e outras peças artesanais e artísticas;

5- Memorabília florestal, com uma mistura de pequenos colecionáveis;

6- Livros e documentos antigos florestais;

Em fundo, em dois écrans, e também em exposição, podem ser vistos vários cartazes históricos.

Eis alguns exemplos das peças presentes e das histórias que contam:

Exposição José Neiva Vieira, um colecionador de florestas
Rodela de madeira fossilizada ou petrificada (à esquerda)

Esta rodela é um pedaço de pedra que há milhões de anos foi madeira de uma árvore. Quando são arrastados pelas águas, submersos e cobertos por cinzas vulcânicas durante milhares de anos, os pedaços de madeira transformam-se naturalmente em pedra: a sua estrutura (celulose) é lentamente substituída por minerais, e é assim que se inicia o processo de fossilização.

Rodela de madeira de pinheiro-bravo com marcas de resinagem (ao centro)

Nesta rodela podem ser vistas marcas da cicatrização de diferentes incisões decorrentes de técnicas de resinagem usadas em diferentes países: feridas côncavas e de cicatrização mais demorada, resultantes do “sistema português” de resinagem implementado por Bernardino José Gomes, em 1858; feridas convexas e de mais rápida cicatrização resultantes da resinagem à francesa, que chegou a Portugal em 1926, e da resinagem à americana, que surgiu do aperfeiçoamento da resinagem à francesa.

Placa do V Congresso Florestal Nacional, em 2005, sob o tema “A floresta e as gentes” (à direita)

O primeiro Congresso Florestal português realizou-se em 1986 e o último em 2022. Promovidos pela Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais de quatro em quatro anos (com algumas exceções, como aconteceu no período da pandemia), estes congressos são o ponto de encontro e de partilha de conhecimento para investigadores e técnicos do sector. A 10.ª edição terá lugar em Coimbra, em outubro de 2026, e foca a relação entre floresta, pessoas e território como base para a sustentabilidade.

Exposição José Neiva Vieira, um colecionador de florestas
Cartazes dos serviços florestais americanos, na década de 1940 (dois posters da esquerda)

O urso, batizado como Smokey Bear foi o símbolo das campanhas de prevenção de incêndios nos EUA durante mais de 80 anos e tornou-se num símbolo da proteção florestal para várias gerações. A sua principal mensagem repete-se em todos os cartazes: “Só tu podes prevenir os incêndios florestais”.

Cartaz metálico dos Serviços Florestais e Aquícolas portugueses, da década de 1960, colocado em zonas florestais para alertar sobre o risco de fazer fogo

O pica-pau (na parte de baixo do cartaz) retratava, na altura, os guardas-florestais, mas na década seguinte, descontentes com esta representação, estes profissionais destruíram a maioria dos cartazes – um deles foi salvo pelo “nosso colecionador de florestas”. Apesar da insatisfação causada, na altura era comum ter um animal a ilustrar esta profissão. Por exemplo, em Espanha era um coelho e na Turquia uma lontra.

Cartaz da 1.ª Festa da Árvore da Amadora, de março de 1909, da autoria do pintor e desenhador Alfredo Roque Gameiro (1864 – 1935)

A celebração das árvores e das florestas tem uma longa história. Pensa-se que o primeiro Arbor Day tenha sido celebrado em 1872, no Nebrasca, EUA, para motivar ações públicas de florestação. Em Portugal, as primeiras celebrações conhecidas datam da primeira década de 1900, com registos locais em cidades como o Seixal e a Amadora, ainda no tempo da Monarquia Liberal.

Inspirada por muitas celebrações em vários países, em 1971, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) promoveu a criação de uma efeméride global: o Dia Mundial das Florestas, fixado a 21 de março, a marcar a mudança de estação do ano e como forma de sensibilização para a importância de preservar os espaços florestais. Foi esta efeméride que, em 2012, se transformou no Dia Internacional das Florestas, continuando hoje a celebrar-se sob a égide da ONU. Em 2026, a temática escolhida para estas celebrações é “Florestas e economias”.