Durante milénios, a madeira foi protagonista absoluta devido à sua disponibilidade e facilidade de manuseamento. Contudo, o século XX trouxe desafios que quase a remeteram para um papel secundário. A “era do betão armado e do aço” ofereceu soluções que pareciam mais robustas, duradouras e capazes de vencer grandes vãos.
O progressivo esgotamento de florestas virgens e a limitação de reservas de espécies de madeira de alta qualidade (tanto nos aspetos de durabilidade natural como em disponibilidade de grandes dimensões e sem defeitos) começaram a dificultar a sua aplicação em larga escala na construção.
Nos finais do século XX, o cenário inverteu-se. A madeira deixou de ser vista como um material “rústico” para se tornar um material de alta tecnologia. Esta mudança deveu-se a vários pilares fundamentais que permitiram repor a madeira como um material de engenharia robusto e fiável, nomeadamente:
- As novas tecnologias e estruturas coladas;
- À criação de regulamentos de cálculo estrutural e normas de controlo da qualidade, permitindo identificar e excluir os defeitos naturais do tronco (nós, fendas, curvaturas indesejadas, degradações biológicas e outros defeitos).
A invenção da Madeira Lamelada Colada (MLC) e, mais recentemente, da Madeira Lamelada Colada Cruzada (CTL), revolucionaram o sector da construção, pois estas tecnologias permitem criar elementos estruturais de muito grandes dimensões e estabilidade dimensional. Grandes vãos para a cobertura de pavilhões industriais ou de complexos desportivos e outras estruturas, como pontes, são alguns exemplos.






