Estas espécies servem de alimento às abelhas e devem ser geridas de modo a assegurá-lo todo o ano, mas sem incrementarem o risco de incêndio. E a gestão das colmeias pode ser compatível com a resinagem – dois tipos de operações que podem ajudar a manter a floresta gerida. Numa visão ideal, podem até ajudar a detectar e controlar incêndios. Um exemplo deste tipo de iniciativas foi o projecto “Resineiro Vigilante” do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
A apicultura em Portugal tem de ser promovida e crescer por todas as razões em que possamos pensar. Infelizmente, o seu ensino (bem como o das plantas aromáticas e medicinais) tem sido abandonado nas universidades portuguesas – um erro lamentável que deve ser revertido, considerando a aptidão de Portugal para esta actividade. E quando se fala em apicultura, têm de se abordar todos os seus aspectos, nomeadamente as pragas e doenças, como a vespa asiática, que tem devastado milhões de colmeias. Também aqui há muito trabalho a fazer.
A arborização é outra vertente a considerar, mas é um contrassenso efectuá-la se não houver capacidade para a gerir, sobretudo nos primeiros anos.
Há pouco mais de um século, quando poucos perspectivavam um aumento da temperatura média terrestre, a importância da gestão já era considerada e os seus conhecimentos implementados nas acções de arborização. Agora, com todos os desafios e estudos que temos, é muitas vezes esquecida. Muitas árvores são plantadas, por vezes por voluntários, e deixadas à sua sorte… São poucas as que conseguem resistir à secura do primeiro ano e as que singram depois das primeiras chuvadas, que as deixam com as raízes expostas e sem o solo que as devia cobrir.
Antigamente, as árvores plantadas ou semeadas eram cobertas e monitorizadas durante vários anos. Por exemplo, nas sementeiras, eram empregues adubo e mato seco para fazer esta cobertura.
Nas areias eram semeadas misturas de diferentes espécies, incluindo leguminosas, para melhorar a fertilidade do solo. E as espécies escolhidas estavam bem-adaptadas às condições dos locais – por exemplo, a luzerna-das-areias (Medicago marina) nos areais.
No passado, uma grande extensão no interior também foi rapidamente arborizada e para a apoiar foram criados viveiros de arbóreas que, além de bem-adaptadas às regiões em causa, eram economicamente viáveis.
Portugal tem de saber aproveitar estes velhos conhecimentos e juntá-los com os mais recentes para se preparar tanto para anos de tempestades, como os 2025/26, como para os de seca, como os que se viveram em 2021/22 e 2022/23, criando infra-estruturas que permitam armazenar os excessos para usar em alturas de carência.
As barragens podem ser uma opção. Por atenuarem a amplitude térmica são indirectamente uma medida de contingência para as alterações climáticas que promove o bem-estar humano e animal. E podem ainda permitir a criação de praias fluviais que contribuem para a qualidade de vida.
Claro que a construção de barragens não é inócua para o ambiente, mas se é necessária à “acção climática” – que também tem por objectivo proteger as espécies –, então pode beneficiar o ambiente noutros aspectos tão ou mais importantes.
Termino com uma mensagem de força que espero conseguir transmitir a todos os que fazem Portugal avançar – uma frase que nos foi deixada por Moraes Soares, em 1876:
“Havemos de prosseguir nesta proclamação enquanto nos restar um alento na vida”.