Tema
Os incêndios em Portugal diminuíram em número, mas aumentaram em área e continuam a revelar fragilidades profundas na gestão do território. A conclusão é do relatório da Greenpeace “Incêndios florestais em Portugal: mais de 80 anos mostram que o país tem de mudar”, que alerta: o país precisa de reforçar a prevenção, a gestão da paisagem e a adaptação a condições meteorológicas mais extremas.
Durante três anos, o projeto europeu ResAlliance reuniu investigadores, decisores, produtores e gestores de sete países da bacia do Mediterrâneo para criar e partilhar soluções práticas dirigidas aos desafios climáticos e socioeconómicos que pressionam os territórios agrícolas e florestais da região. Em resultado, foram produzidos recursos práticos e aplicáveis, muitos deles em português, que ajudam a tornar as paisagens mediterrânicas mais resilientes.
Um bioma é uma extensa área do planeta onde o clima e outros fatores ambientais criam condições homogéneas, às quais a flora e fauna estão adaptadas, formando um padrão reconhecível. É a grande escala a que distinguimos, por exemplo, as florestas temperadas, os desertos, as savanas ou as tundras. Conhecer os biomas ajuda-nos a compreender a influência do clima na paisagem e na vida na Terra.
Apesar do contributo da floresta como sumidouro de carbono ser positivo em muitos países, incluindo em Portugal (na maioria dos anos), o saldo entre gases com efeito de estufa emitidos e retidos está longe da neutralidade. Esta realidade tem acelerado as alterações climáticas em Portugal e no mundo, com impactes também para as florestas.
2003, 2005 e 2017 foram os anos dos mais severos incêndios rurais e contribuíram para que a área ardida em Portugal fosse das maiores da Europa desde 2000. Para além de refletirem mudanças na utilização do espaço rural, estes registos estão diretamente relacionados com condições meteorológicas extremas.
Os desafios da floresta portuguesa são de ordem ambiental, socioeconómica e estrutural. Alterações climáticas, incêndios rurais, pragas, doenças e espécies invasoras cruzam-se com a fragmentação da propriedade, o abandono rural e a baixa rentabilidade da floresta. Estes e outros fatores podem ser mitigados com respostas integradas dos vários atores envolvidos no território.