A Engenharia Florestal em Portugal assume hoje uma relevância que ultrapassa a gestão florestal em sentido estrito. O seu papel é estrutural na resposta a alguns dos principais desafios do território nacional: das alterações climáticas à gestão integrada da paisagem, passando pela prevenção de incêndios rurais e pelo restauro ecológico.
A sua relevância técnica contrasta, no entanto, com uma limitada representatividade institucional, uma renovação geracional insuficiente e uma capacidade de influência que fica aquém do papel que a floresta ocupa nas agendas climática, territorial e económica do país.
Na Ordem dos Engenheiros – Região Sul, num universo de cerca de 33 mil membros, apenas cerca de 1% pertence à especialidade de Engenharia Florestal. Esta percentagem é reveladora do défice significativo de massa crítica e de capacidade de influência nos processos de decisão. Este cenário é agravado por um perfil demográfico envelhecido, com uma média etária próxima dos 57 anos.
Mas os desafios da Engenharia Florestal em Portugal começam antes da entrada na profissão. A escassez de estudantes universitários é um sinal da falta de atratividade e reconhecimento. Os cursos existem, mas os estudantes não chegam: num ano recente, apenas 11 alunos ocuparam cerca de 60 vagas disponíveis.
Esta realidade despertou uma reflexão sobre a forma como a sociedade olha para a floresta, para os profissionais que dela cuidam e para o valor técnico de quem decide sobre a gestão sustentável do território. Foi neste contexto que, no primeiro semestre de 2026, no Grupo de Trabalho de Engenharia Florestal da Região Sul (GTEF_OERS), promovemos três iniciativas: um jantar-debate de Engenharia Florestal, o evento “SOS Incêndios” e um workshop sobre o RJAAR – Regime Jurídico das Ações de Arborização e Rearborização. Estas sessões reuniram mais de 150 participantes e permitiram realizar um inquérito, com cerca de 100 respostas válidas.
O objetivo foi ouvir a comunidade, conhecer as suas expectativas e identificar as iniciativas e temas técnicos que consideram prioritários para suportar a definição de futuras linhas estratégicas para a atividade deste Grupo de Trabalho.




