A primeira metodologia aprovada é a de Novas Florestações. Esta metodologia aplica-se à criação de novas florestas promovendo a alteração do uso do solo não florestal (solo com uso agrícola, pastagem ou matos) para florestal, através de plantação, sementeira ou promoção de regeneração natural.
Nesta metodologia, o cenário de referência assume que, na ausência do projeto, a área manteria um crescimento de carbono quase nulo.
Para compensar emissões permanentes, deve ser acautelada a manutenção do sequestro de carbono. Por isso, de forma conservadora, assume-se que a floresta poderá sofrer cortes ou perturbações naturais ao longo do tempo, mantendo-se o uso de solo florestal através de ciclos sucessivos de plantação e gestão sustentável. Assim, o benefício (créditos de carbono) é quantificado com base na média dos stocks ao longo dos ciclos, utilizando valores conservadores que são medidos no final de cada período de monitorização.
Para prevenir perdas por causas naturais (como incêndio ou pragas, por exemplo), o projeto deve ter um mecanismo de salvaguarda como, por exemplo, contribuir para uma bolsa de garantia. Se ocorrer uma perda, os créditos são retirados desta bolsa, mantendo a integridade do mercado.
3. O papel crucial dos verificadores
A credibilidade do MVC é sustentada por um sistema de verificação rigoroso, pensado para assegurar que as regras são cumpridas e que os créditos são reais.
- Qualificação e independência:
- Os verificadores são profissionais independentes e qualificados pela Agência para a Energia – ADENE. A sua competência é aferida por categorias sectoriais (por exemplo Uso do Solo), garantindo que têm know-how específico para auditar o projeto.
- Ciclo de auditoria:
- 1. Validação inicial: o verificador confirma se o projeto cumpre as regras do MVC, da metodologia e se o plano de monitorização é viável. Permite a emissão de Créditos de Carbono Futuros (CCF) com base na redução ou sequestro de carbono previsto (ex-ante) do projeto, dando assim oportunidade aos promotores de aceder a um financiamento inicial para a fase de implementação.
- 2. Verificação periódica: realizada em intervalos de tempo definidos na metodologia, o verificador audita o projeto no terreno, medindo o carbono sequestrado (ex-post), permitindo a emissão dos Créditos de Carbono Verificados (CCV). Projetos que gerem benefícios adicionais para biodiversidade podem receber a classificação de Carbono+.