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Ambiente

Alternativas aos plásticos com origem na natureza e floresta

Até 2050, poderá haver mais plástico do que peixe nos oceanos. Este cenário reforça a urgência de encontrar alternativas aos plásticos, com materiais menos poluentes, de origem renovável e com elevada taxa de reciclagem, como os que provêm da floresta. Da próxima vez que for às compras, olhe para as embalagens para fazer uma escolha mais consciente.

A cada ano que passa, mais de 12 milhões de toneladas de plásticos acabam nos oceanos, provocando a morte de mais de 100 mil animais marinhos. Fabricados com base em petróleo e outros recursos finitos, não renováveis e poluentes, permanecem no ambiente durante séculos. Urge, por isso, encontrar novas embalagens alternativas aos plásticos tradicionais.

Os materiais provenientes da natureza, e nomeadamente da floresta, fazem parte da resposta ao apelo das Nações Unidas para encontrar alternativas aos plásticos. O papel e o cartão são duas das opções mais óbvias e também dois dos mais reconhecidos materiais com origem na floresta. Contudo, hoje quase tudo o que obtínhamos exclusivamente a partir dos recursos fósseis (petróleo, carvão, gás natural) pode ser conseguido com a incorporação de materiais mais sustentáveis.

Das embalagens de papel aos bioplásticos, começam a existir alternativas aos plásticos tradicionais que nos ajudam a fazer a transição dos recursos finitos e poluentes para recursos biológicos, renováveis e, sempre que possível, reutilizáveis e recicláveis.

Para saber como pode contribuir para um maior equilíbrio entre o consumo e o ambiente, conheça alguns dos materiais atualmente utilizados em múltiplas embalagens, da higiene pessoal à alimentação, e o que cada um significa para reduzir a sua pegada ecológica:

Papel

Artigo Alternativas Plástico Papel

O papel é um dos materiais que mais usamos no nosso dia a dia. Inventado (com características similares às atuais) pelos chineses em 105 d.C., é reconhecido pelas suas diversas e crescentes aplicações.

Além de suporte de escrita, impressão e de partilha de informação, tem vindo a permitir novas alternativas aos plásticos, nomeadamente em sacos, embalagens para alimentos e outros consumíveis, como, por exemplo, as palhinhas de papel.

O papel tem origem em matéria-prima florestal e renovável: a madeira. Mas nem todas as fibras de madeira são iguais e as mais adequadas para a extração da celulose que está na base da produção de papéis são as provenientes do eucalipto (Eucalyptus sp.) e do pinheiro (Pinus sp.).

Com reconhecidos atributos de reciclabilidade e biodegradabilidade, o papel pode ser reciclado várias vezes e 3 a 6 meses são suficientes para se decompor.

Celulose moldada

Da mesma celulose que serve de base ao papel, fazem-se atualmente diversos produtos e tipos de embalagens.

Tradicionalmente usada nas embalagens de ovos, a celulose moldada tem vindo a ser aplicada em embalagens para acondicionar vários outros alimentos, nomeadamente frutas e vegetais, mas também fast food.

Estas embalagens podem ser produzidas a partir de cartão ou papel reciclado, assim como de fibras virgens de celulose – o polímero natural mais abundante no planeta, componente estrutural das plantas e um dos principais constituintes da madeira.

A celulose moldada é cada vez mais reconhecida no mercado pela sua versatilidade, custo e sustentabilidade. Por ser feita 100% de fibras naturais, é biodegradável e reciclável.

Artigo Alternativas Plástico Celulose Moldada

Polietileno Verde (bioplástico)

Artigo Alternativas Plástico Polietileno Verde

O polietileno de fonte renovável, o chamado polietileno verde (PE verde), é o resultado de inovações recentes para encontrar alternativas aos plásticos obtidos a partir de petróleo (polietileno).

Das embalagens de produtos de higiene e limpeza aos sacos, passando pelas embalagens de bebidas e alimentos, este bioplástico pode ser produzido com base em fontes vegetais e renováveis, como o etanol da cana-de-açúcar. Permite, assim, alternativas aos plásticos provenientes de fonte biológica e com elevado potencial de reciclabilidade após o consumo.

Apesar de reciclável, o PE não é biodegradável – não se degrada por ação de microrganismos, como fungos e bactérias, o que não permite também a sua compostagem. Ainda assim, apresenta vários benefícios: é considerado um polímero de baixa densidade, o que significa que reduz o peso final dos produtos, o que influencia favoravelmente o custo de transporte e de emissões de dióxido de carbono. Por outro lado, cada tonelada de polietileno verde produzido pode capturar e fixar até 2,5 toneladas de CO2 da atmosfera, contribuindo para mitigar as emissões de gases com efeito estufa.

PLA (bioplástico)

O PLA (poliácido-láctico) foi obtido em 1932. Depois de melhorias contínuas, foi apenas nos anos 60 que houve interesse real na sua aplicação, principalmente na área médica.

Produzido a partir de moléculas de ácido láctico, um ácido orgânico de origem biológica que resulta da fermentação de vegetais ricos em amido – cana de açúcar, milho ou batata, por exemplo – é já usado para substituir os plásticos convencionais em aplicações que vão desde embalagens para alimentos e cosméticos a sacos, copos e garrafas. Como senão tem o facto de derivar essencialmente de culturas agrícolas, que concorrem com a produção de alimentos.

Este tipo de bioplástico é reciclável, compostável e biodegradável. Com efeito, está preparado para ser devolvido ao ambiente, já que se decompõe de forma natural através da ajuda de microrganismos (fungos e bactérias), que contribuem para converter materiais em substâncias naturais, como água ou composto, sob certas condições (por exemplo, calor, humidade, luz ou oxigénio). Em comparação com os plásticos convencionais, cuja degradação pode levar centenas de anos, este material pode degradar-se entre seis meses a dois anos.

Artigo Alternativas Plástico PLA

Cartão para alimentos líquidos

Artigo Alternativas Plástico Cartão

As chamadas embalagens de cartão para alimentos líquidos surgiram pela primeira vez há mais de 70 anos.

Hoje este tipo de embalagens é utilizado para acondicionar diversos alimentos líquidos e produtos frescos, como sopas, leite, sumos ou bebidas vegetais. Como o nome indica, estas embalagens são feitas principalmente de papel-cartão (pelo menos 50%), mas implicam também a inclusão de polietileno e, no caso das embalagens assépticas, alumínio, para garantir a barreira protetora, a segurança e higiene.

Por incluírem estes materiais, depois de usadas, devem ser colocadas nos locais de reciclagem destinados ao plástico e metais (contentor amarelo).

Para as tornar mais sustentáveis, os fabricantes estão a incorporar, cada vez mais, materiais renováveis ou reciclados, recorrendo a polímeros de origem vegetal como alternativa às opções de origem fóssil.

Sacos de tecido

Antecipando a proibição dos sacos de utilização única para fruta e legumes, que entra em vigor em junho de 2023, nos supermercados já é possível encontrar alternativas aos plásticos, como os sacos de algodão, derivado das fibras de plantas como o algodoeiro (Gossypium hirsutum L.).

Laváveis e reutilizáveis, estes sacos podem ser feitos a partir de algodão orgânico ou algodão 100% reciclado, dando uma nova vida a tecidos descartados pela indústria têxtil.

Além do algodão, também as fibras da madeira – celulose – têm permitido novas soluções renováveis e de origem biológica na área dos têxteis, como o Lyocell. Também elas são naturalmente biodegradáveis.

Artigo Alternativas Plástico Tecido

À procura de mais soluções sustentáveis

À medida que os problemas relacionados com a dependência excessiva de plástico se tornam mais conhecidos, novos materiais para a produção de embalagens estão a surgir no mercado. Exemplo desta tendência são as caixas feitas a partir de folhas de palmeira para alimentos como frutas frescas, verduras e nozes, as embalagens produzidas a partir de aparas de madeira e o teste de vários materiais com origens tão diferentes como proteína de leite, batata ou cogumelos, algumas delas comestíveis.

Nos sectores alimentar e agrícola, a procura de alternativas biodegradáveis para as embalagens tem apoiado a procura por bioplásticos biodegradáveis, parte dos quais produzidos a partir dos açúcares existentes na biomassa florestal e nos sobrantes agrícolas, e que começam a dar resposta à legislação que promove o fim dos plásticos de uso único e a substituição de vários plásticos de origem fóssil.

Apesar de cada vez mais pessoas procurarem soluções mais ecológicas e estarem alerta para as questões da sustentabilidade, apenas 14% das embalagens de plástico utilizadas a nível mundial são recicladas e cerca de 40% acabam em aterros sanitários.

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Gráfico Alternativas Plástico

Para compreender que materiais incorporam cada produto ou embalagem, ajuda saber interpretar os símbolos constantes na embalagem e nomeadamente o número que consta no interior do triângulo habitualmente presente:

– Os números de 1 a 6 referem-se à utilização de diferentes plásticos. Quanto maior o algarismo mais difícil é tipicamente a sua reciclagem e, em alguns casos, há elementos impossíveis de reciclar;

– Os números de 20 a 22, por exemplo, referem-se a diferentes aplicações do papel, todas elas recicláveis;

– Os números 50 e 51 correspondem a materiais orgânicos de origem florestal – madeira -, enquanto o 60 e 61 designam têxteis de origem orgânica.

No caso dos produtos com origem em matérias-primas florestais, a sustentabilidade da gestão das florestas que lhes dão origem é outro ponto a considerar e pode ser confirmada através da existência dos chamados selos verdes, nomeadamente os que atestam a certificação da gestão florestal, também presentes nas embalagens ou produtos.

Sabia que:

 

  • Desde julho de 2021, a Europa começou a banir a venda de plásticos de uso único (talheres, pratos, copos, palhinhas e vários outros não reutilizáveis) do seu território?
  • Um material plástico integra a categoria dos bioplásticos se for de base biológica, se for biodegradável ou se apresentar estas duas características em simultâneo?
  • Quando um material ou produto é de base biológica significa que é (pelo menos parcialmente) derivado de material orgânico ou biomassa, como o milho ou a celulose, em vez de resultar de matérias-primas não renováveis como o petróleo?