Embora não se saiba ao certo quando começaram a ser construídos os primeiros canais de água no nosso país, algumas das levadas do norte de Portugal têm mais de meio milénio. A criação destes “caminhos de água” acompanhou a história de muitas comunidades rurais, que partilharam este recurso essencial para regar campos agrícolas, manter pastagens férteis para o gado e acionar moinhos hidráulicos que transformaram cereais em farinha.
Monarcas como D. Afonso II (que reinou de 1211 a 1223) e D. Dinis (de 1279 a 1325) terão motivado a expansão destes sistemas hidráulicos, em especial entre Douro e Minho, promovendo a rega agrícola e a capacidade de moagem. A gestão da água já fazia parte desta organização rural antiga, marcada por direitos de uso e turnos de utilização, assim como pela manutenção comunitária das levadas, açudes e caminhos que ligavam campos, aldeias e moinhos.
Durante séculos, entre montanhas, vales agrícolas e rios, as levadas continuaram a transportar as águas, mesmo quando os moinhos elétricos destronaram os moinhos de rodízio.
Com o passar do tempo, muitos destes sistemas hidráulicos perderam-se entre bosques e mato, abandonados juntamente com as ruínas dos seus moinhos, mas muitas outras levadas do norte de Portugal foram recuperadas nas décadas de 1980 e 1990, um período em que se construíram também novos canais coletivos de rega. Este foi um primeiro passo para conservar a herança da moagem e do regadio. Um segundo passo está a ser dado com a recuperação dos acessos rurais e o estabelecimento de rotas pedestres que ladeiam as levadas, por entre bosques frondosos, vales, montanhas e aldeias que guardam memórias destes tempos antigos.













