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02.07.2026

Registar galhas de Trichi em acácia-das-espigas: cidadãos chamados a ajudar

Registar galhas de Trichi em acácia-das-espigas: cidadãos chamados a ajudar

Os portugueses podem ajudar a conhecer de que forma o inseto Trichilogaster acaciaelongifoliae, conhecido como Trichi, está a contribuir para travar a invasora acácia-das-espigas. O apelo é feito por investigadores portugueses que, para monitorizar a presença e o efeito deste agente de controlo biológico, necessitam da ajuda dos cidadãos no mapeamento de acácias-das-espigas com galhas de Trichi (e também sem galhas).

A acácia-das-espigas (Acacia longifolia) começou a ser plantada em Portugal há décadas, com fins ornamentais, pela beleza das suas flores amarelas e para ajudar a fixar as areias, travando a erosão costeira. A presença deste arbusto ou pequena árvore não ficou, contudo, limitada aos locais onde foi plantada. A abundante produção de sementes levou à sua multiplicação, ao rápido aumento de populações e à ocupação de novas áreas, manifestando um comportamento invasor.

No século XXI, a acácia-das-espigas é uma das 11 espécies de acácia classificadas legalmente como invasoras em Portugal. Como o seu habitat preferencial são as areias marítimas – motivo por que também é conhecida como acácia-das-praias – é uma das plantas invasoras com maiores impactes nos ecossistemas costeiros do território continental.

Para reduzir a sua capacidade de propagação, foi introduzido em Portugal um agente de controlo biológico: o pequeno inseto Trichilogaster acaciaelongifoliae, originário da Austrália, que forma galhas nos ramos da acácia-das-espigas. A fêmea coloca os ovos nas gemas que dariam origem às novas flores e ramos e as galhas de Trichi (protuberâncias arredondadas) formam-se nos locais onde se desenvolveriam estes rebentos. Ao impedirem a formação das flores, travam também a formação de frutos e sementes e a reprodução das acácias.

A libertação de Trichilogaster acaciaelongifoliae como agente biológico natural foi autorizada em 2015, após 12 anos de testes em ambiente confinado e análises de risco. Desde então, a sua presença tem vindo a ser acompanhada em Portugal, por investigadores do Centro de Ecologia Funcional (CFE, Universidade de Coimbra) e do Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS, da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra).

Após as primeiras libertações, o inseto começou a dispersar-se naturalmente e está presente em várias zonas, de Norte a Sul do território continental. Em muitas destas áreas está a cumprir o objetivo de longo prazo que levou à sua libertação: fazer com que estas acácias produzam menos flores e menos rebentos, o que significa menos sementes e menor capacidade de dispersão desta planta invasora.

Ajudar a saber onde há galhas de Trichi a atuar sobre a invasora

A dispersão do agente de controlo biológico é uma boa notícia, mas torna a monitorização mais exigente. Mesmo com o envolvimento de investigadores de várias instituições não é possível acompanhar todos os locais onde existem acácias com e sem galhas. Também é difícil saber onde a presença de galhas tem sido mais eficaz a travar o nascimento de novas acácias, isto porque as sementes podem permanecer no solo durante vários anos, mantendo-se viáveis para germinar e causar novas invasões em áreas onde a dispersão já tinha sido controlada.

É neste contexto, para mapear o efeito da Trichi na invasão por acácia-das-espigas, que a ciência cidadã se torna essencial. Cada observação registada ajuda os investigadores a perceber onde a Trichi está presente, onde continua ausente, em que locais há muitas ou poucas galhas e qual o efeito que o inseto está a ter nas invasões pela acácia-das-espigas.

As observações permitem ainda acompanhar a evolução da dispersão deste agente de controlo biológico ao longo do tempo e do território, reunindo informação útil para avaliar a Trichi como ferramenta de gestão de plantas invasoras em Portugal.

O que observar e como reconhecer esta acácia e as galhas de Trichi?

Dois elementos distintos podem ser observados, já que ambos são úteis aos investigadores:

  1. Presença de galhas de Trichi nos ramos da acácia-das-espigas.
  2. Presença de acácia-das-espigas sem galhas, o que ajudará também a identificar os locais onde o agente de controlo biológico ainda não está a atuar.

A acácia-das-espigas tem normalmente o aspeto de um arbusto amplo ou de uma pequena árvore. É reconhecível pelas folhas longas com extremidade fina (como indica o nome científico Acacia longifolia), pelas flores amarelas vivas organizadas em espigas (razão por que é chamada acácia-das-espigas) e pelas vagens cilíndricas, que guardam as sementes e se contorcem quando estão maduras.

As galhas são estruturas arredondadas (lembram frutos) que crescem nos ramos da Acacia longifolia. Normalmente surgem em grupo, embora possam encontrar-se isoladas, e podem observar-se intactas ou com furos, num sinal de que os insetos adultos já deixaram a sua “residência” temporária. A sua cor pode ser esverdeada, ter variações de verdes e vermelhos ou tons castanhos.

Como as galhas de Trichi impedem a floração e frutificação, o aspeto da acácia-das-espigas pode diferir bastante quando o agente de controlo biológico está presente.

Registo de galhas de Trichi em acácia-das-espigas: cidadãos chamados a ajudar

À esquerda, acácia-das-espigas em floração. À direita, galhas de Trichi em acácia-das-espigas

Fotografar, anotar e registar no Epicollect5

A participação é simples e qualquer um pode contribuir. Durante uma caminhada ou passeio, se vir uma acácia-das-espigas:

  1. Fotografe a planta, as galhas de Trichi (se existirem) e a zona envolvente, anotando a respetiva localização.
  2. Registe a observação no projeto “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae”, na aplicação Epicollect5.
  3. Faça o upload dos dados e das fotografias (quando tiver internet).

O Epicollect5 é a forma preferencial de participar. Trata-se de uma aplicação móvel gratuita para recolha de dados no terreno, utilizada em projetos científicos, técnicos e de ciência cidadã. A aplicação permite preencher formulários, registar a localização GPS, juntar fotografias e enviar os dados para a base central do projeto. Nesta base de dados, a informação pode ser vista em mapa, tabelas ou gráficos.

O primeiro passo é instalar a aplicação, abri-la e adicionar o projeto, escrevendo “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae”. Depois, quando encontrar uma acácia-das-espigas, com ou sem galhas, basta abrir o projeto, adicionar uma nova entrada, preencher o formulário, adicionar fotografias e guardar o registo.

Devem ser fotografadas as galhas de Trichi, a planta onde foram encontradas (ou a planta sem galhas) e a zona envolvente. As fotografias devem mostrar, sempre que possível, a planta completa, detalhes das galhas e enquadramento do local. Estes elementos ajudam a confirmar a identificação e a interpretar o habitat onde a observação foi feita.

No campo das notas, pode ser acrescentada informação útil sobre a área observada, como a dimensão aproximada da mancha de acácia-das-espigas, a abundância de galhas ou outras características do local.

Não é necessário recolher galhas de Trichi, cortar ramos ou remover partes da planta. O mais importante é garantir que a observação fica bem documentada, com localização, fotografias claras e indicação sobre a presença ou ausência de galhas.

Se forem encontradas novas manchas de acácia-das-espigas a algumas centenas de metros, deve ser feito novo registo, pois cada observação e respetivo registo dão à equipa científica informação relevante sobre a distribuição da planta invasora e do seu agente de controlo biológico.

Em campo, os registos podem ser feitos sem ligação à internet. A ligação é necessária apenas no início, para instalar a aplicação e adicionar o projeto, e no final, para fazer o upload de dados e imagens, o que torna a informação disponível aos investigadores e a todos os interessados.

Também é possível registar observações através do iNaturalist/BioDiversity4All, juntando-se ao projeto Trichilogaster acaciaelongifoliae in Iberian Peninsula. No entanto, este método permite recolher dados mais limitados. Por isso, sempre que possível, é recomendado o uso da aplicação Epicollect5.

Em resumo

O que é Trichi?

Trichi é o nome informal dado ao inseto Trichilogaster acaciaelongifoliae, que está a ser usado em Portugal, desde 2015, como agente de controlo biológico da espécie invasora acácia-das-espigas.

O que são galhas de Trichi?

As galhas de Trichi são estruturas arredondadas que se formam nos ramos da acácia-das-espigas quando as fêmeas deste inseto depositam os ovos nos locais onde surgiriam as flores e os novos rebentos. As galhas inibem a floração e a frutificação, impedindo a formação de sementes e a propagação desta planta invasora.

Porque devem ser registadas observações com e sem galhas?

Os registos ajudam a mapear onde a Trichi está presente e onde ainda não foi detetada, assim como a perceber o papel deste agente de controlo biológico na redução de invasões por acácia-das-espigas.

Como participar?

Basta instalar a aplicação Epicollect5, adicionar o projeto “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae” e registar – através de fotografias, localização e descrição – as observações de acácia-das-espigas com ou sem galhas.