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Recursos Naturais

O que significa resiliência da paisagem ou resiliência da floresta?

A resiliência da paisagem refere-se à capacidade que uma paisagem tem para resistir, adaptar-se e transformar-se sob condições em mudança, mantendo (ou recuperando) a sua estrutura, funções e identidade centrais.

Uma paisagem resiliente é aquela que consegue adaptar-se a condições variáveis, manter as funções ecológicas essenciais, suportar a biodiversidade, resistir e recuperar de perturbações – como as que resultam dos impactes das alterações climáticas ou das atividades humanas –, e continuar a fornecer serviços de ecossistema essenciais à vida e ao equilíbrio do planeta.

O conceito pode aplicar-se a diferentes tipos de paisagem, independentemente de ser uma paisagem mais natural ou mais alterada pela atividade humana – uma floresta, um mosaico agrícola ou uma cidade. Da mesma forma, aplica-se a diferentes extensões territoriais: uma comunidade, uma região ou um continente, por exemplo.

Qualquer que seja o tipo e a dimensão, o conceito da resiliência da paisagem tem subjacente outra ideia central: a de um sistema resiliente, idealmente caracterizado por:

  • Diversidade. A diversidade de espécies e habitats, ideias, atividades ou usos do solo aumenta a capacidade de adaptação à mudança, reduzindo o risco de todos os elementos falharem simultaneamente.
  • Redundância. A presença de diferentes organismos e elementos que desempenham as mesmas funções torna o sistema mais robusto. Como cada função não está dependente de um único elemento, mesmo quando um elemento se perde, as funções continuam a ser asseguradas por outros, evitando falhas críticas.
  • Conectividade. A ligação entre os componentes do sistema permite a manutenção da rede de interações e dos ciclos e fluxos do sistema (energia, água, vida, informação), que são essenciais ao seu equilíbrio e funcionalidade.
  • Integridade. É a capacidade de um sistema manter o seu equilíbrio dinâmico e os seus processos essenciais, regulando-se e renovando-se sem necessidade de intervenções externas.
  • Flexibilidade. A capacidade do sistema para se adaptar e responder a alterações de forma dinâmica, reorganizando-se para manter ou retomar o seu equilíbrio.

 

O que se significa resiliência da paisagem ou resiliência da floresta?

 

Por exemplo, uma floresta com várias espécies que consomem a água de forma diferente tende a ser mais resiliente à seca: as espécies com raízes mais profundas conseguirão aceder às águas subterrâneas quando o solo está seco à superfície, o que não acontece com espécies de raízes menos profundas.

Da mesma forma, a diversidade de espécies reduz a probabilidade de todas as árvores serem afetadas em simultâneo por uma praga florestal. Também a diversidade etária de uma floresta é importante na sua resiliência a tempestades, uma vez que as árvores jovens (mais baixas) tendem a resistir a ventos fortes, mesmo quando as mais velhas (e altas) são derrubadas.

Já a presença de árvores de diferentes espécies com funções estruturais e ecológicas similares é igualmente importante em termos de redundância, pois se uma delas for afetada por uma seca ou uma praga, a outra poderá resistir e ajudar a manter (ou repor) o equilíbrio do ecossistema florestal.

 

A ação humana pode apoiar a resiliência da paisagem

 

As pressões crescentes das alterações climáticas que tornam os ecossistemas mais vulneráveis são resultado da ação humana, mas a ação humana também pode apoiar a resiliência da paisagem, com decisões e práticas que criem paisagens mais resistentes, capazes de adaptar-se e recuperar o seu equilíbrio, em vez de colapsar. Neste sentido, a participação e responsabilização humanas também são essenciais à resiliência dos sistemas.

O projeto ResAlliance (2022 – 2025), dedicado à resiliência da paisagem mediterrânica, defende a participação das comunidades no reforço da resiliência das suas paisagens florestais e agrícolas, em projetos que beneficiem de uma estrutura de decisão descentralizada e transversal:

  • Descentralizada e com responsabilidade partilhada, para aumentar o envolvimento das várias partes interessadas e a sua capacidade de resposta e atuação, sem dependência de uma única entidade e de decisões “de cima para baixo”;
  • Transversal às várias escalas territoriais (local, regional, nacional, transfronteiriça, etc.) e sectores (planeamento do território, ação climática, conservação, financiamento, entre outros) que devem trabalhar em sintonia para “fazer acontecer”.
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