Gestão Florestal
As espécies a privilegiar no Alentejo interior – e em todo o Alentejo – em ações de expansão ou reconversão florestal estão indicadas no Plano Regional de Ordenamento Florestal do Alentejo (PROF ALT), que estabelece os objetivos e normas das intervenções a realizar nos espaços florestais da região.
Entre outras informações, o PROF identifica as zonas que partilham características ecológicas e climáticas semelhantes – as sub-regiões homogéneas do Alentejo – e as espécies florestais mais indicadas em cada uma, considerando que as especificidades do clima, solo e relevo (condições edafoclimáticas) favorecem o crescimento de determinadas espécies de árvores e não de outras.
O PROF ALT indica 21 sub-regiões, das quais 16 abrangem áreas do interior – centrais e fronteiriças. Embora algumas das espécies a privilegiar no Alentejo interior sejam comuns a várias destas 16 sub-regiões – como a azinheira, o sobreiro, o pinheiro-de-Alepo e o pinheiro-manso – nenhuma é transversal a todas. A exceção é o grupo das ripícolas ou ribeirinhas, um conjunto de espécies bem-adaptadas às margens de cursos de água (às galerias ripícolas), como o amieiro, o freixo e os salgueiros.

Fonte: Sig – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)
Refira-se que o PROF do Alentejo foi aprovado em 2019 (prevendo-se que vigore por um período de até 20 anos) e pode ser consultado no site do ICNF. As principais informações constam do Documento Estratégico, Capítulos A a H, e da legislação que estabeleceu este Plano.
Para cada sub-região estão definidos dois grupos de espécies que podem ser usadas em ações de expansão ou de reconversão de povoamentos florestais:
“Produção”, “Conservação de habitats, de espécies de fauna e flora e de geomonumentos”, “Recreio e valorização da paisagem” e “Silvopastorícia, caça e pesca em águas interiores” são funções da floresta que podem estar identificadas para diferentes zonas e que influenciam a listas das espécies a privilegiar no Alentejo interior para as diferentes sub-regiões.
(Grupo I) | (Grupo II) |
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Peneplanície do Alto Alentejo Serra de Ossa e Terras do Alandroal | Comuns às quatro sub-regiões: azinheira, medronheiro, pinheiro-de-Alepo, pinheiro-manso, sobreiro, ripícolas. | Comuns às três sub-regiões: alfarrobeira, carvalho-português, carvalho-negral, cipreste-comum, cipreste-da-Califórnia, eucalipto, nogueira, pinheiro-bravo. |
Comuns às quatro sub-regiões: azinheira, pinheiro-de-Alepo, ripícolas. | ||
Terras de Mourão | Comuns às duas sub-regiões: alfarrobeira, cipreste-comum, cipreste-da-Califórnia, medronheiro, pinheiro-manso, sobreiro. |
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Nota: No carvalho-português (ou carvalho-cerquinho), deve considerar-se preferencialmente a subespécie Quercus faginea subsp. broteroi. Eucalipto refere-se à espécie Eucalytpus globulus.
Saiba também quais são as espécies florestais a privilegiar no litoral alentejano.
A plantação de espécies florestais que não constem do PROF de cada sub-região como “Espécies a privilegiar” ou “Outras espécies a privilegiar” só pode ser feita após autorização específica do ICNF, mediante fundamentação técnica que justifique a respetiva instalação.
Adicionalmente, no Alentejo, a instalação de explorações florestais ou agroflorestais privadas que tenham dimensão superior a 100 hectares requer do proprietário a elaboração de um Plano de Gestão de Florestal, a submeter e aprovar pela autoridade florestal nacional – ICNF.
Além destas regras, os proprietários e gestores florestais precisam de ter em conta:
Como não basta saber quais são as espécies a privilegiar no Alentejo interior, os produtores florestais e agroflorestais podem aconselhar-se junto do Gabinete Técnico Florestal do seu município (existem também estruturas intermunicipais, como, por exemplo, o Gabinete Florestal Intermunicipal do Alto Alentejo e do Alentejo Central). Estas estruturas – assim como as Organizações de Produtores Florestais e as empresas especializadas em consultoria florestal – dispõem de técnicos florestais capacitados para prestar este apoio.
Espécies Florestais
Embora valorizado noutros tempos pela sua madeira, matéria-prima da indústria naval, a importância do pinheiro-manso está historicamente relacionada com o pinhão, o que justifica o milenar interesse pela sua plantação. Facilmente identificado pela forma da sua copa, que faz lembrar um guarda-sol, o pinheiro-manso é uma espécie pioneira, com muito para conhecer neste artigo em colaboração com Isabel Carrasquinho.
Espécies Florestais
O medronheiro é reconhecido como espécie ornamental, melífera e medicinal, mas são os seus frutos e resiliência que reforçam o seu valor económico e ecológico. Fique a conhecer melhor a espécie, neste artigo desenvolvido em colaboração com Carlos Fonseca.