Bioeconomia
Quando se fala em terapêuticas de origem natural há quem confunda medicamentos inspirados nas plantas com medicamentos à base de plantas. Embora ambos tenham relação com o mundo vegetal, são medicamentos muito diferentes do ponto de vista científico, regulamentar e farmacêutico.
Os medicamentos inspirados nas plantas são fármacos convencionais desenvolvidos a partir de moléculas identificadas nas plantas, que foram depois isoladas, purificadas, sintetizadas em laboratório, modificadas e otimizadas quimicamente.
Embora a sua descoberta tenha começado numa planta, o produto final é uma substância química definida, padronizada e replicável industrialmente. A planta funciona apenas como ponto de partida para a descoberta e desenvolvimento científico.
Exemplos de medicamentos inspirados nas plantas:
Cerca de 40% dos medicamentos convencionais têm origem direta ou indireta em compostos naturais. Entre os exemplos mais conhecidos estão:
• Aspirina, inspirada na salicina presente na casca do salgueiro-branco (Salix alba);
• Taxol, originalmente identificado no teixo europeu (Taxus baccata), permitiu o desenvolvimento de medicação utilizada no tratamento do cancro;
• Digoxina, derivada da dedaleira (Digitalis purpurea), é usada em cardiologia;
• Morfina, isolada da papoila-do-ópio (Papaver somniferum) é aplicada, por exemplo, no alívio de dores extremas;
• Artemisinina, extraída de Artemisia annua, fundamental no tratamento da malária.
Em todos estes casos, a molécula ativa foi isolada, estudada, padronizada e sujeita a um longo processo de desenvolvimento farmacêutico.

Os medicamentos à base de plantas, por sua vez, utilizam diretamente como substância ativa a planta ou as preparações feitas com a planta. Podem incluir plantas inteiras ou partes (folhas, flores, sementes, raízes), extratos, tinturas ou outras preparações obtidas por processos físicos ou químicos simples.
Nestes medicamentos, a atividade terapêutica resulta dos vários compostos presentes na planta, na sua forma natural, ou seja, na sua atividade química original.
A sua regulamentação enquanto medicamentos pode basear-se:
• No uso tradicional seguro e plausível durante 30 anos (15 dos quais na União Europeia), se forem medicamentos tradicionais baseados em plantas, ou
• No uso bem estabelecido ao longo de pelo menos 10 anos na União Europeia, documentado por literatura científica, se forem medicamentos baseados em plantas.
Exemplos de medicamentos à base de plantas:
Alguns exemplos de medicamentos tradicionais à base de plantas incluem:
• A calêndula (Calendula officinalis), usada no tratamento sintomático de inflamações ligeiras da pele (como queimaduras solares), cicatrização de feridas ligeiras e inflamações ligeiras da boca ou garganta;
• O anis (Pimpinella anisum), usado no tratamento sintomático de perturbações gastrointestinais espasmódicas ligeiras e utilizado como expetorante na tosse associada a constipações;
• A valeriana (Valeriana officinalis), usada no alívio de sintomas ligeiros devidos a stress e para ajudar a dormir.

Enquanto os medicamentos inspirados nas plantas potenciam os ativos presentes nas plantas como fonte para a inovação e a descoberta de novos fármacos, os medicamentos à base de planta mantêm viva a tradição do uso de plantas das medicinas tradicionais e da fitoterapia. As diferenças centrais estão na substância ativa e nos processos de desenvolvimento, produção e aprovação:
| Molécula encontrada na planta é isolada, purificada e quimicamente definida | Compostos naturais originais encontram-se misturados na planta |
| Desenvolvimento farmacológico e produção sintética ou semissintética que recria e otimiza apenas as partes com interesse terapêutico | Produção a partir de extratos ou preparações vegetais, com processos físicos e químicos mais simples |
| Aprovação requer ensaios clínicos exaustivos, in vitro (laboratoriais) e in vivo (humanos) | Aprovação baseada no histórico de usos tradicionais e literatura científica |
As moléculas naturais podem ser instáveis, tóxicas e difíceis de obter nas quantidades necessárias à produção de um medicamento. Além disso, a variabilidade que existe entre plantas, mesmo entre plantas da mesma espécie, dificulta uma formulação estável e replicável.
Por isso, nos medicamentos inspirados nas plantas – e em todos os medicamentos convencionais – os cientistas isolam a substância ativa, purificam-na e reformulam-na para garantir e melhorar a respetiva estabilidade e eficácia, assim como para reduzir efeitos adversos e encontrar a dose e a forma mais adequadas de interação com o organismo. A meio do processo, a planta deixa de estar presente na fórmula do medicamento.

Embora o ponto de partida possa ser uma folha, uma raiz ou uma casca já usada tradicionalmente com fins medicinais, a ciência aproveita essa pista e inicia com ela um processo longo e rigoroso de desenvolvimento e teste, que demora habitualmente mais de uma década:
Os medicamentos à base de plantas mantêm viva a tradição medicinal e a fitoterapêutica, integrando o conhecimento acumulado ao longo de gerações, enquanto os medicamentos inspirados nas plantas transformam esse conhecimento em inovação farmacêutica. Ambos têm lugar na saúde, mas são produtos com diferentes níveis de evidência científica, padronização química e exigência regulatória.
Plantas Medicinais
Uma planta é considerada medicinal quando pelo menos uma das suas partes – raiz, caule, folha, flor, fruto ou semente – contém compostos capazes de interagir com o organismo humano e produzir efeitos terapêuticos, seja na prevenção, no alívio ou no tratamento de sintomas e doenças.
Saúde e Bem-estar
O recurso às propriedades curativas das plantas para procurar alívio da doença e da dor é ancestral. Transmitidos desde as mais antigas civilizações, os conhecimentos foram aperfeiçoados e muitas partes de árvores e plantas oriundas da floresta continuam a ter aplicações medicinais e farmacológicas.
Saúde e Bem-estar
Áreas de lazer, evasão e beleza, os espaços verdes trazem, além destes, vários outros contributos importantes para a vida urbana. Descubra como os jardins, os parques florestais, as quintas pedagógicas e até as árvores que vemos ao longo dos arruamentos contribuem para a sustentabilidade das cidades e para a saúde de quem nelas vive.