Um levantamento da biodiversidade nas florestas de Arouca revelou um retrato detalhado da vida selvagem presente nestas paisagens, onde coexistem áreas florestais destinadas à produção e zonas reservadas à conservação. Recorrendo a uma tecnologia científica inovadora, conhecida como ADN ambiental (eDNA), uma equipa de investigadores conseguiu identificar quase 500 espécies de animais, entre mamíferos, aves, anfíbios, répteis, insetos e outros organismos que habitam ou utilizam estes ecossistemas.
O desafio de monitorizar a biodiversidade nas florestas de Arouca partiu da The Navigator Company e da 2BForest, que quiseram conhecer quais os animais que percorrem as zonas florestais de Lourido e Pereiro e quais as suas dinâmicas em áreas dedicadas à produção e à conservação. O estudo foi conduzido pelo SGS Global Biosciences Center, começando pelo trabalho de campo realizado na primavera de 2025.
No local foram recolhidas amostras de ar, vegetação e água. Nestes elementos aparentemente comuns permanecem vestígios microscópicos de ADN libertados pelos organismos, através de células, pólen ou outros fragmentos biológicos. A análise desse material genético permite detetar a presença de diferentes espécies, mesmo quando não são diretamente observadas. Assim, é possível identificar organismos que escapam a abordagens tradicionais de monitorização, como os que são demasiado pequenos ou esquivos.
A partir das amostras de ADN foram identificados 15 grupos taxonómicos distintos:
- 438 espécies de invertebrados: os insetos representaram a grande maioria da biodiversidade de invertebrados registada, confirmando o papel central que desempenham no funcionamento dos ecossistemas florestais, desde a decomposição da matéria orgânica até à polinização e ao controlo natural de pragas.
- 59 espécies de vertebrados: entre os vertebrados detetados encontram-se várias espécies de aves, mamíferos, anfíbios e répteis característicos – e, em alguns casos, exclusivos (endemismos) – da fauna ibérica.





