“O aumento adicional das perturbações florestais nas próximas décadas é altamente provável”, refere o estudo, reforçando a adaptação como um imperativo.
Os autores recomendam, assim, que as perturbações florestais passem a ocupar um lugar central na política florestal e que a gestão da floresta se adapte ao aumento esperado das perturbações, incrementando as florestas mistas com espécies mais adaptadas às alterações climáticas e os povoamentos diversos, mais complexos estruturalmente e de idade heterogénea.
O documento sublinha que o aumento das perturbações será transversal às florestas de todo o continente europeu, mas que as projeções identificam zonas com maiores taxas de perturbação face ao seu histórico (hot-spots), podendo encontrar-se também zonas refúgio sujeitas a menor pressão, pelo que é essencial desenvolver respostas coordenadas à escala europeia, mas adaptadas localmente.
Da mesma forma alerta que é fundamental integrar estas projeções nas políticas europeias relativas ao clima, ao carbono, à biodiversidade e à bioeconomia, reforçando a mitigação das alterações climáticas como aspeto central: “Os resultados sublinham a necessidade de uma rápida redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE), de modo a prevenir os impactes climáticos mais graves, que trarão aumentos de perturbações muito mais extremos”, refere o artigo.
Na mesma linha de recomendações, o EFI criou uma “síntese política”, que apela a várias linhas de ação prioritárias:
- Integrar as perspetivas de evolução das perturbações florestais nas políticas europeias e nacionais relacionadas com o armazenamento de carbono nas florestas, os mercados de madeira, a biodiversidade e a bioeconomia;
- Integrar a gestão do risco de perturbações no planeamento florestal, com base em estratégias integradas de gestão de perturbações a nível pan-europeu, regional e local.
- Apoiar a monitorização e a gestão de perturbações a nível transcontinental, promovendo a partilha de informação e os recursos que permitam desenvolver sistemas de alerta precoce e estratégias de resposta eficientes.
- Promover estratégias de restauro florestal que promovam a heterogeneidade das florestas e o estabelecimento de florestas mistas e estruturalmente diversas, com maior resiliência estrutural e genética (por exemplo, reduzindo restrições legais na gestão pós-perturbação e através de programas de subsídios direcionados).
- Financiar a investigação sobre as causas e as consequências da alteração dos regimes de perturbação florestal, para apoiar a tomada de decisões baseada em evidência;
- Reforçar a importância de atuar na redução rápida das emissões de GEE, para limitar a magnitude futura das perturbações.
Diferentes agentes de perturbação podem interagir entre si, e as retroações entre perturbações, vegetação e clima podem ter efeitos de atenuação ou de amplificação nas perturbações futuras. Devido a esta complexidade, têm faltado, até agora, projeções robustas e de longo prazo dos regimes de perturbação, com elevada resolução e a uma escala espacial alargada. Estas projeções são, contudo, necessárias para quantificar os riscos futuros para os ecossistemas e os serviços que nos proporcionam, e para desenvolver estratégias de mitigação de risco e instrumentos de política integrados.