Desde a década de 1990 que, perante as elevadas taxas de extinção de espécies, a investigação ecológica passou a focar-se, sobretudo, nas consequências da perda de biodiversidade para o funcionamento dos ecossistemas e para a sua estabilidade, ou seja, para a capacidade de os ecossistemas manterem a sua estrutura e funcionamento face a perturbações.
Antes, o foco incidia principalmente nos fatores que determinavam a própria biodiversidade, desde as interações bióticas, como a competição e predação, aos fatores abióticos, como a disponibilidade de água, luz e nutrientes. Contudo, com novas evidências sobre declínio da diversidade, a questão central passou a ser outra: será que um ecossistema menos diverso é também menos eficiente e menos estável do que um ecossistema mais rico em espécies?
Na tentativa de dar resposta a esta pergunta fundamental, surgiram os primeiros estudos experimentais, que foram realizados em pastagens, por serem comunidades vegetais relativamente simples e, por isso, mais fáceis de manipular. O estudo pioneiro de David Tilman mostrou que as comunidades menos diversas podiam produzir até 50% menos biomassa.
Um projeto europeu subsequente, o BIODEPTH, confirmou, em múltiplos locais com condições climáticas contrastantes, que a perda de biodiversidade reduz a produtividade e a estabilidade das comunidades vegetais. Portugal integrou este projeto e nos trabalhos realizados no nosso país verificou-se ainda que comunidades herbáceas mais diversas apresentavam maior estabilidade, mantendo produtividades elevadas mesmo após secas ou geadas.
Este resultado apoia a chamada “hipótese do seguro”, segundo a qual uma maior diversidade aumenta a probabilidade de incluir espécies capazes de resistir a perturbações ambientais, assegurando o funcionamento dos ecossistemas. Por exemplo, após um inverno particularmente frio, espécies herbáceas como a língua de ovelha (Plantago lanceolata) e o panasco (Dactylis glomerata) mostraram maior tolerância à geada, passando a dominar as comunidades mistas e contribuindo para a manutenção da produtividade vegetal global.










