Quando pensamos na pré-história da humanidade, ocorrem-nos imagens de homens primitivos a lascar pedras, abrigados em grutas. O próprio nome com que batizámos este longo período de 3,3 milhões de anos – Paleolítico ou Idade da Pedra – solidifica esta visão do “homem das cavernas”. Embora compreensível, esta designação é o resultado de um dos maiores enviesamentos da arqueologia: ao basear-se exclusivamente nos indícios preservados, esquece uma matéria fundadora do desenvolvimento humano – a matéria que funda a “Idade da Madeira”.
Chamamos a esse passado “Idade da Pedra” porque a pedra é o que permanece e deixa uma marca indelével no registo geológico. A pedra atravessa o tempo. É a antítese do efémero, representa a realidade inabalável: uma matéria inorgânica de que a metafísica diz “é aquilo que está e é”.
A madeira, por outro lado, é o orgânico e está intimamente ligada aos ciclos da natureza, ao que nasce e morre. A madeira traz em si o mistério da génese e não é por acaso que a raiz etimológica desta palavra, do latim mater, deriva de “mãe” e “matéria”.














