A pimenta-da-Jamaica (Pimenta dioica) é uma árvore da família das mirtáceas, natural da América Central, e o seu nome científico Pimenta começou com um equívoco: quando os exploradores espanhóis viram as drupas desta árvore pela primeira vez, ainda no século XVI, confundiram-nas com grãos de pimenta e apressaram-se a trazê-las para a Europa.
Os primeiros registos de importação europeia são de 1601, embora a relevância do seu comércio só se tenha ampliado no século XVIII. Nesta época, além dos espanhóis, também os colonos ingleses nas Caraíbas (incluindo Jamaica) começaram a produzi-la e exportá-la para a Europa. Pela mão dos europeus, esta pimenta terá chegado ao Levante e à Ásia. Em países como a Malásia e Singapura, a espécie foi plantada com sucesso e tornou-se amplamente usada para temperar carnes e aromatizar vinhos.
Apesar de estas não serem verdadeiras árvores da pimenta, os seus frutos secos tornaram-se muito apreciadas na gastronomia. Os ingleses batizaram-nas como “allspice” (em português, todos os temperos) por considerarem que funde os sabores e aromas da noz-moscada, do cravinho e da canela.
O aroma intenso, quente, levemente picante e amadeirado desta falsa pimenta é proporcionado, sobretudo, pelo eugenol, que predomina tanto nos frutos como nas folhas da pimenta-da-Jamaica. O mesmo composto é também predominante no cravo-da-Índia, que tem origem noutra árvore da família das mirtáceas (Syzygium aromaticum).